sábado, 23 de julho de 2016

Os dois lagos e a Pastoral do Dízimo

Nossa Diocese, no mês de julho, reflete sobre a Pastoral do Dízimo, animando os fiéis para a importância e a beleza de serem dizimistas. Iniciamos na Catedral de Santo Antônio com uma celebração eucarística bem participada, no dia 02, com a presença da Comissão Diocesana e de muitos animadores (as) dessa pastoral. Este tema me fez recordar um belo texto que recebi e que transcrevo: “Dois lagos, duas filosofias”.

Na Terra Santa, há dois lagos alimentados pelo mesmo rio Jordão. Ficam situados a alguns quilômetros de distância um do outro; mas, possuem características bem distintas entre si. Um é o Lago de Genesaré, também conhecido como Mar da Galileia ou Lago de Tiberíades. O outro é o chamado “Mar Morto”.


O primeiro é azul, cheio de vida e de contrastes, de calma e de ondas. Nas suas margens, refletem-se as flores amarelas de seus prados. O Mar Morto é uma lagoa densa e de água salgada, em que não há vida. A água que vem do rio, alí fica estagnada.


O que faz destes dois lagos, alimentados pelo mesmo rio, lagos tão diferentes? Simplesmente isto: O lago de Genesaré transmite generosamente o que recebe. A sua água, quando chega ali, parte de imediato para remediar a seca dos campos. Sacia a sede dos homens e dos animais. A água do Mar Morto estagna-se. Adormece, é salgada. Mata.


Com as pessoas acontece o mesmo. Algumas vivem com generosidade, dando-se e oferecendo-se aos outros com gratuidade e sem esperar recompensa. Vivem e fazem viver. São felizes. Por outro lado, há pessoas que, egoístas, recebem, guardam para si e não dão nada aos outros. Assim constroem uma vida amarga e infeliz, como a água estagnada que morre e causa morte à sua volta. Quanto mais doamos, mais recebemos. Quanto menos partilhamos, mais pobres nos tornamos. Quem acumula somente para si, encontra a infelicidade; aquele que sabe partilhar abre a porta à felicidade.


Uma das expressões mais bonitas de doação é aquela que acontece na Pastoral do Dízimo. Sim, o Dízimo é uma Pastoral! De fato, sua preocupação profunda não é “acumular dinheiro para a Igreja”; mas, manifestar nosso amor verdadeiro a Deus, à Igreja, ao povo e possibilitar a vivência das pessoas em comunidades.


Então, o que é o Dízimo?


a) Prova de amor para com Deus que nos dá tudo;
b) Devolução a Deus por meio da Comunidade;
c) Contribuição para a manutenção da Comunidade, sentindo-se “pertencentes” = membros vivos da mesma;
d) Partilha generosa e consciente para auxiliar a evangelização missionária e a solidariedade com os necessitados.


E o que o Dízimo não é?


a) Pagamento que se faz à Igreja para pertencer a ela;
b) Taxa de adesão à Comunidade;
c) Mensalidade para poder usufruir dos serviços eclesiásticos
d) “Suborno”, como se quiséssemos com ele comprar a Deus e suas bênçãos.


Estas virão como consequências naturais, porque tudo que é feito por amor e com amor agrada a Deus. É um caminho de conversão que permite a partilha, supera o egoísmo e uma das expressões da fé, mas não a única. A participação nas celebrações, nos sacramentos, nos ministérios, no serviço prestado aos necessitados, juntamente com o Dízimo, são manifestações de uma fé adulta e consciente.


Finalizo, então manifestando dois sentimentos.


Primeiro, agradeço a Comissão Diocesana da Pastoral do Dízimo, os animadores/animadoras que atuam nas comunidades e todas/todos os dizimistas. Pelo amor ao Senhor e pela vontade de pertença às Comunidades, permitem o bom funcionamento e o progresso das mesmas. Que Deus abençoe e recompense a todos! Parabenizo as paróquias que realizam a Missa mensal pelos Dizimistas, acompanhada de iniciativas diversas e simpáticas, como sorteio e café partilhado.


Segundo convido os cristãos, que ainda não são dizimistas, a fazer esta experiência, segundo suas possibilidades. A carteira não ficará mais vazia... E, em compensação, o coração ficará mais feliz, pois “Deus ama quem dá com alegria!”. Lembro-me de um senhor de meia idade que me confidenciava: “Agora que sou dizimista, entro mais contente na igreja e me sinto, verdadeiramente, em casa!”


Abraço fraterno com as bênçãos divinas!


Dom Luciano Bergamin

Diocese de Nova Iguaçu

terça-feira, 19 de julho de 2016

O rosto de Deus

Dom Paulo Mendes Peixoto

Olhando para a carta que o papa Francisco publicou falando sobre o “Ano da Misericórdia”, ele começa dizendo que Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. Como Ele mesmo diz: “Quem me viu, viu o Pai” (Jo 14,9). Portanto, Jesus de Nazaré revela a misericórdia de Deus, que é Pai, e nos convida a fixar os olhos nessa misericórdia como caminho privilegiado de encontro com o Senhor.
Existem algumas atitudes irresponsáveis, no caminhar da história, que clamam ao céu. Certamente não vão passar de forma despercebida diante do julgamento de Deus. Não podemos brincar com a justiça, com a honestidade e com a verdade. São parâmetros de estabilidade de uma cultura, trazendo consequências positivas ou negativas, dependendo da forma como são tratadas.
Na oração de unidade do Pai Nosso pedimos perdão pelas falhas cometidas, quando dizemos, “perdoai-nos as nossas ofensas” (Lc 11,4). Significa que o mal não pode durar para sempre, porque existe possibilidade de mudança na forma de agir. Mudança que cria proximidade da criatura com o seu Criador, com Deus que é Pai da misericórdia e da acolhida fraterna de quem O procura.
Falando do rosto de Deus, olhamos também para o rosto das pessoas, criadas à imagem e semelhança do Criador. Por isso existe nelas a vida como um mistério, que ultrapassa as realidades simplesmente humanas. O descrente tem dificuldade para entender essa realidade. Mas uma coisa é certa: a dita semelhança exige da pessoa muita determinação e ação concreta na construção do bem.
Além da semelhança com o Criador, com Cristo que é o rosto de Deus, a Palavra divina fala da necessidade de pertença ao Povo da Aliança. No Antigo Testamento isso acontecia através do rito da circuncisão. No Novo Testamento, é substituído pelo batismo e o testemunho de fé como compromisso na comunidade cristã. Então, a vida de fé deve fazer com que o cristão tenha também o rosto do Pai.
O projeto de Deus para o seu povo é a vida, mas com indicação de plenitude. Vida que tem possibilidade de eternidade e de continuidade na glória celeste, fazendo com que todos sejam felizes no convívio de seu Reino. As portas estão abertas, mas estreitas e exigem empenho de quem livremente quer passar por elas. O caminho é o de identificação com o rosto do Pai, com Jesus Cristo.

Fonte: CNBB