Nossa Diocese, no mês de julho, reflete sobre a Pastoral do Dízimo, animando os fiéis para a importância e a beleza de serem dizimistas. Iniciamos na Catedral de Santo Antônio com uma celebração eucarística bem participada, no dia 02, com a presença da Comissão Diocesana e de muitos animadores (as) dessa pastoral. Este tema me fez recordar um belo texto que recebi e que transcrevo: “Dois lagos, duas filosofias”.
Na Terra Santa, há dois lagos alimentados pelo mesmo rio Jordão. Ficam situados a alguns quilômetros de distância um do outro; mas, possuem características bem distintas entre si. Um é o Lago de Genesaré, também conhecido como Mar da Galileia ou Lago de Tiberíades. O outro é o chamado “Mar Morto”.
O primeiro é azul, cheio de vida e de contrastes, de calma e de ondas. Nas suas margens, refletem-se as flores amarelas de seus prados. O Mar Morto é uma lagoa densa e de água salgada, em que não há vida. A água que vem do rio, alí fica estagnada.
O que faz destes dois lagos, alimentados pelo mesmo rio, lagos tão diferentes? Simplesmente isto: O lago de Genesaré transmite generosamente o que recebe. A sua água, quando chega ali, parte de imediato para remediar a seca dos campos. Sacia a sede dos homens e dos animais. A água do Mar Morto estagna-se. Adormece, é salgada. Mata.
Com as pessoas acontece o mesmo. Algumas vivem com generosidade, dando-se e oferecendo-se aos outros com gratuidade e sem esperar recompensa. Vivem e fazem viver. São felizes. Por outro lado, há pessoas que, egoístas, recebem, guardam para si e não dão nada aos outros. Assim constroem uma vida amarga e infeliz, como a água estagnada que morre e causa morte à sua volta. Quanto mais doamos, mais recebemos. Quanto menos partilhamos, mais pobres nos tornamos. Quem acumula somente para si, encontra a infelicidade; aquele que sabe partilhar abre a porta à felicidade.
Uma das expressões mais bonitas de doação é aquela que acontece na Pastoral do Dízimo. Sim, o Dízimo é uma Pastoral! De fato, sua preocupação profunda não é “acumular dinheiro para a Igreja”; mas, manifestar nosso amor verdadeiro a Deus, à Igreja, ao povo e possibilitar a vivência das pessoas em comunidades.
Então, o que é o Dízimo?
a) Prova de amor para com Deus que nos dá tudo;
b) Devolução a Deus por meio da Comunidade;
c) Contribuição para a manutenção da Comunidade, sentindo-se “pertencentes” = membros vivos da mesma;
d) Partilha generosa e consciente para auxiliar a evangelização missionária e a solidariedade com os necessitados.
E o que o Dízimo não é?
a) Pagamento que se faz à Igreja para pertencer a ela;
b) Taxa de adesão à Comunidade;
c) Mensalidade para poder usufruir dos serviços eclesiásticos
d) “Suborno”, como se quiséssemos com ele comprar a Deus e suas bênçãos.
Estas virão como consequências naturais, porque tudo que é feito por amor e com amor agrada a Deus. É um caminho de conversão que permite a partilha, supera o egoísmo e uma das expressões da fé, mas não a única. A participação nas celebrações, nos sacramentos, nos ministérios, no serviço prestado aos necessitados, juntamente com o Dízimo, são manifestações de uma fé adulta e consciente.
Finalizo, então manifestando dois sentimentos.
Primeiro, agradeço a Comissão Diocesana da Pastoral do Dízimo, os animadores/animadoras que atuam nas comunidades e todas/todos os dizimistas. Pelo amor ao Senhor e pela vontade de pertença às Comunidades, permitem o bom funcionamento e o progresso das mesmas. Que Deus abençoe e recompense a todos! Parabenizo as paróquias que realizam a Missa mensal pelos Dizimistas, acompanhada de iniciativas diversas e simpáticas, como sorteio e café partilhado.
Segundo convido os cristãos, que ainda não são dizimistas, a fazer esta experiência, segundo suas possibilidades. A carteira não ficará mais vazia... E, em compensação, o coração ficará mais feliz, pois “Deus ama quem dá com alegria!”. Lembro-me de um senhor de meia idade que me confidenciava: “Agora que sou dizimista, entro mais contente na igreja e me sinto, verdadeiramente, em casa!”
Abraço fraterno com as bênçãos divinas!
Dom Luciano Bergamin
